Dom Manoel Delson

DOM DELSONAs crises e suas lições
O Brasil enfrenta muitas crises de uma só vez. Fala-se em crise econômica, política, hídrica, cultural, educacional, familiar, ética e poderíamos seguir com uma lista interminável. Uma situação crítica gera sempre uma grande tensão, que demanda a busca de uma solução. No ápice da crise, o ser humano reúne suas energias para superá-la. Por isso, toda crise leva a um crescimento humano e social. A crise superada deixa um saldo positivo de experiência humana.

Com esta crise, o povo brasileiro está tendo a oportunidade de se fortalecer e consolidar suas convicções democráticas e de desenvolvimento.

A crise econômica depende da conjuntura internacional e cada país deve estar preparado para se colocar nas relações de uma economia globalizada, procurando ajustar suas capacidades de produção, consumo a fim de manter sua balança em equilíbrio e alcançar o desejado superávit. Isso exige da equipe econômica extremo cuidado para não gastar mais do que se produz. O aprendizado de uma crise é um legado precioso para o futuro. Corrigem-se os erros cometidos e se adquire disciplina para compreender as variantes que interferem no processo econômico. Apertar o cinto e conter despesas é um ensinamento fundamental para a economia de um país. Um povo que não vive uma grande crise econômica não aprende a dar valor aos bens adquiridos e, por isso, os gastos vão além das próprias condições.

A atual crise política associada à econômica deixa o povo perplexo e sem vislumbrar saídas. Sonhamos com uma democracia e depois de um período inicial de crescimento, vem esta tempestade. No entanto, passando pela crise o Brasil deve consolidar sua democracia e corrigir, via instituições, os desvios que foram surgindo. Este grande país sairá mais forte e mais preparado para inibir a corrupção, a falta de ética e estruturar melhor sua base para o futuro desenvolvimento. É momento de mudança e de correção!

A crise hídrica ajudará o Brasil a conhecer melhor seu potencial e suas limitações hídricas e criar estruturas para amenizar as consequências dos períodos de estiagem ou de chuvas além da média. Os desafios da seca ou das enchentes oportunizam a utilização racional do potencial natural e ensina a conviver com esta natureza tão pródiga, mas também tão surpreendente.

A crise cultural é resultado do somatório de todas as outras crises. A cultura é gestada no útero da história com todas as suas variantes como a economia, a política, as condições geofísicas, a religião e tudo que toca o espírito humano. Neste caldeirão da existência, o brasileiro irá se refazer e sairá mais forte e mais preparado para construir o Brasil que todos sonham. De crise em crise a jovem democracia brasileira vai se estruturando. Este momento em que vivemos é um valioso convite à superação. O futuro é de quem aprende a vencer, transformando as crises em escada para vitórias que virão.